Foram Dezoito pessoas que morreram em acidente com lancha em Salvador

Bebê de um ano foi resgatado, mas não resistiu. Ainda há desaparecidos. Agência Reguladora de Transportes afirma que lancha estava em ordem.

Dezoito pessoas morreram, nesta quinta-feira (24), no acidente com uma lancha na Baía de Todos-os-Santos, em Salvador. O que era para ser mais uma viagem corriqueira de trabalhadores e estudantes para Salvador virou uma tragédia logo nos primeiros minutos de travessia. Às 6h30, a lancha Cavalo Marinho 1 partiu do terminal de Mar Grande, na Ilha de Itaparica, com 116 passageiros e quatro tripulantes, bem abaixo da capacidade máxima de 160. Dez minutos depois, o naufrágio. Passageiros contaram que, por causa do mau tempo, a chuva e as ondas começaram a entrar na embarcação. Para se proteger, muitas pessoas saíram do lado direito e buscaram refúgio do outro lado da lancha. Com o peso, a embarcação acabou virando. Sílvio escapou porque conseguiu um colete salva-vidas. “Tinha um pessoal tomando chuva, do lado direito, de quem está vindo, veio, veio mais para a esquerda. Juntou tudo, aí pesou e virou”, contou o arquiteto Sílvio Oliveira. “Desci, não conseguia subir porque as pessoas começaram a se apoiar umas nas outras fazendo peso, então um rapaz me puxou pelo capote”, relatou a técnica em enfermagem Luana Andrade. Oito lanchas fazem a travessia Salvador-Itaparica, transportando, em média, 5 mil pessoas por dia. Quando o mar está muito agitado na Baía de Todos-os-Santos, o serviço é suspenso pelos donos das lanchas. Isso acontece mais durante o inverno, quando os ventos são fortes, mas nos últimos dias a travessia estava liberada. A Agência Reguladora de Transportes de Passageiros da Bahia afirmou que a embarcação estava em ordem. “O barco é vistoriado pela Marinha, a documentação está em dia, todas as oito lanchas que operam estão com a documentação em dia”, disse Eduardo Pessoa, diretor da Agerba. Pescadores e tripulantes de embarcações que estavam na área foram os primeiros a prestar socorro. Um rapaz pulou de um jet ski para resgatar uma vítima. Até um stand up paddle foi usado. Os primeiros sobreviventes resgatados foram recebidos por moradores da ilha e alguns seguiram para hospitais em macas improvisadas. Corpos das vítimas acabaram sendo para praias da região. Sobreviventes contaram que ficaram à deriva: “Quase duas horas na água gritando por socorro e nada. Eu tentando arrumar as pessoas. Foi muito sufoco”. A Marinha diz que recebeu o aviso uma hora depois do acidente. “Uma embarcação que trafegava próximo ao local viu o acidente e emitiu esse pedido de socorro para a Marinha. Imediatamente nos mobilizamos nossas equipes, mandamos quatro lanchas da Capitania dos Portos, mais quatro navios que estavam atracados na base naval de Aratu para o local do acidente”, explicou o comandante Flávio Almeida, assessor Relações Institucionais Marinha. Mais de cem homens da Marinha e equipes do Samu participaram das buscas. A todo momento, chegavam feridos ao terminal náutico de Salvador. Um bebê de 1 ano chegou a ser resgatado com vida e levado para uma ambulância, mas não resistiu. Parentes desesperados queriam notícias. “Meu cunhado, ele pegou a lancha para vir trabalhar e até agora a gente não sabe notícia”, disse Luziana Pacheco. Transtornado um rapaz procurava o pai. Depois de horas de agonia, o abraço aliviado: “Eu vou agradecer bastante, mais, pela vida de meu pai, ter preservado a vida de meu pai, Deus sabe o que faz em todas as coisas”. As buscas foram suspensas durante à noite e retornam nesta sexta (25). Onze corpos foram identificados. Oitenta e nove pessoas foram atendidas em unidades de saúde. As autoridades não falam em números de desaparecidos. Além dos 116 passageiros e quatro tripulantes, quatro policiais teriam embarcado na lancha.

Fonte: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/08/dezoito-pessoas-morrem-em-acidente-com-lancha-em-salvador.html

Comentários